quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vou-me Embora pra Pasárgada Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Receita de Mulher Vinicius de Moraes


As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

domingo, 8 de junho de 2014

O fantasma da ópera

Le Fantôme de l'Opéra (O fantasma da ópera em português) é um romance francês escrito por Gaston Leroux. Na obra original de Leroux, a ação desenvolve-se no século XIX, na Ópera de Paris, um monumental e luxuoso edifício, construído entre 1857 e 1874, sobre um enorme lençol de água subterrâneo. A história se baseia entre a música e o amor. Christine enfrenta uma luta interna entre o seu amor por Raoul e a sua fascinação pelo gênio da personagem do Fantasma, formando um triângulo amoroso assustador e envolvente, onde se encontra um terrível medo e um inigualável amor entre uma cantora lírica, um nobre apaixonado e um "fantasma" obcecado.
 
Minhas músicas preferidas:
 
All I Ask of You
 
 
 
 
 
Think of Me
 
 
 
 
Um brinde em português - Emílio Santiago Tudo Que Se Quer
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Restaurante Leite

Almoço cheio de charme e cultura. Fui com amigos experimentar O Restaurante Leite (Recife/PE). Resolvi não perder a oportunidade de mistura história com sabor!  Foi um almoço celebrado com boa companhia e boa comida. Uma viagem no tempo e nas tradições.

Fundado em 1882, viu a abolição da escravatura, a Proclamação da República, a revolução de 1930, o golpe de 1964 ... Até 1958, mulher desacompanhada não entrava e, até meados da década de 70, homens eram obrigados a usa paletó para frequentar a casa.

Por sua relevância na história de Pernambuco e do Brasil, o Leite ganhou um capítulo no livro A Saga do Açúcar, da antropóloga Fátima Quintas. Ela destaca que o restaurante nasceu em um momento revolucionário - fim do Império e da Monarquia, abolição da escravatura, início da República.
"Sua história é importante porque nela se conjugam dois fenômenos aparentemente opostos: os fortes ecos de uma mutação política e o respeito à tradição cultural em uma época em que não foi fácil sustentar os paradigmas do passado", diz a escritora.
O Restaurante tem mais de 130 anos e sempre foi frequentando por políticos e intelectuais, como Assis Chateubriand, Gilberto Freyre, Simone de Beauvoir, João Goulart, Miguel Arraes e Mário de Andrade, o poeta. Hoje ainda grande a muitos, principalmente idosos saudosistas. 

Requinte no servir!!! Música ao vivo, tocada em piano de cauda, garçons bem vestidos, bandejas e talheres de prata, louça com monogramas, guardanapos de puro algodão, palitos de dentes feitos à mão encomendados em Portugal. Agradavelmente bem decorado, com sua cadeiras antigas, seus diferentes lustres e suas peças de época.

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Nossas escolhas seguiram os indicativos de melhores pratos da casa. Inciamos com um delicioso couvert oferecido pelo restaurante acompanhado de uma aprazível caipiroska de laranja lima. Então escolhemos os dois pratos mais famosos - Amantes do Mar e Bacalhau à Amadeu Dias, nome do dono do Leite desde 1955. Como sobremesa a famosa e popular Cartola. Tudo gostoso e  bem servido.

Consegui as receitas dos pratos que lá comemos no site http://prazeresdamesa.uol.com.br/exibirMateria/5624/restaurante-centenario.



Bacalhau à Amadeu Dias
1 porção

250 g de lombo de bacalhau dessalgado
2 cebolas médias
2 batatas-inglesas médias cozidas al dente
1/2 pimentão vermelho, sem pele, cortado em 3 ou 4 tiras
5 azeitonas pretas
3 dentes de alho
Sal e azeite de oliva português a gosto
1Pincele todos os ingredientes com azeite, alho espremido e sal. 2 Coloque o bacalhau em uma grelha quente e vire-o várias vezes até dourar os dois lados uniformemente. Esse procedimento dura aproximadamente 8 minutos. 3 Na metade desse tempo, acrescente também o pimentão, as cebolas e as batatas – essas por último. 4 Em uma travessa, disponha os ingredientes que acabaram de ser grelhados, ainda quentes, as azeitonas e regue com bastante azeite.


Amantes do mar
1 porção

Grelhados
250 g de filé de sirigado
2 camarões graúdos
2 lagostins
3 colheres de azeite de oliva português
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Arroz de polvo
100 g de tentáculos de polvo cozidos em água e sal
1/2 cebola picada
1 tomate grande maduro picado sem pele e sem semente
5 colheres de azeite de oliva português
1 dente de alho picado
250 ml de caldo de peixe 
1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
Sal, salsinha e pimenta-do-reino a gosto  

Grelhados
1 Tempere o peixe, os camarões e os lagostins com sal, pimenta-do-reino e azeite. 2 Grelhe em frigideira quente e reserve.
 
Arroz de polvo 
1 Em um tacho largo, leve ao fogo a cebola, o alho e o azeite. 2 Refogue os ingredientes por cerca de 2 minutos. 3 Acrescente o tomate já misturado ao vinho branco, deixe ferver por mais 5 minutos e tempere com o sal e a pimenta. 4 Em seguida, adicione o caldo de peixe e aguarde levantar fervura. 5 Junte, então, o polvo cortado em pedaços e cozinhe só mais 5 minutos, finalizando com salsa fresca picada. 6 Caso seja necessário, coloque mais caldo de peixe, pois o arroz tem que ficar com consistência mais úmida. 7 Sirva os grelhados por cima do arroz de polvo. 






Cartola
1 porção

1 banana-prata cortada ao meio
1 fatia grossa de queijo tipo manteiga (do sertão)
1 colher de sobremesa de manteiga
10 g de açúcar refinado
5 g de canela em pó portuguesa
1 canela em pau

1 Passe em uma chapa, separadamente, as duas partes da banana e a fatia de queijo, na manteiga, até dourar. 2 Em seguida, coloque a banana em um prato e cubra imediatamente com o queijo ainda quente. 3 Polvilhe com a canela misturada ao açúcar, disponha o pauzinho de canela por cima e sirva imediatamente. 



Julie & Julia - Filme



Achei por acaso na tv a cabo.  O filme contrasta a vida da chefe Julia Child,  com a vida da jovem nova-iorquina Julia Powell, que aspira a cozinhar todas as 524 receitas do livro de receitas de Child em 365 dias, um desafio que ela descreveu em seu blog popular que fará dela uma escritora.
O filme é água com açúcar, bem levinho, mas é gostoso acompanhar os experimentos na pequena cozinha de Julia. O prato mais interessante para mim foi a Carne à bourguignonne, que achei a receita e pretendo experimentar.

carne


Ingredientes
. 2 kg de músculo cortado em cubos
. 2 colheres (sopa) de azeite
. 150 g de bacon picado
. 4 dentes de alho picados
. 1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
. 2 xícaras (chá) de vinho tinto
. 3 folhas de louro
. 2 ramos de salsinha
. 1 ramo de tomilho
. 1 xícara (chá) de molho de tomate
. 4 cenouras cortadas em cubinhos
. 1/2 kg de cebolinhas brancas pequenas
. 2 xícaras (chá) de cogumelos cortados
. Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo
Aqueça o azeite na panela de pressão e doure o bacon. Junte o alho e refogue. Passe os cubos de carne na farinha e coloque-os na panela. Deixe dourar de todos os lados. Adicione o vinho, o sal e a pimenta, e mexa. Amarre com um barbante o louro, a salsinha e o tomilho. Ponha na panela, tampe e cozinhe por 25 minutos. Desligue o fogo e espere acabar a pressão. Abra a panela e junte o molho de tomate e a cenoura. Se necessário, adicione um pouco de água quente. Devolva a panela ao fogo e cozinhe por mais 15 minutos. Retire do fogo novamente e, quando acabar a pressão, abra a panela. Acrescente os cogumelos e as cebolinhas e cozinhe por mais dez minutos, com a panela destampada. Retire as ervas amarradas e sirva quente com arroz e batatas.

http://mdemulher.abril.com.br/culinaria/receitas/carne-bourguignonne-506797.shtml

Bon appetit!!!

Cheesecake Romeu e Julieta

Uma delícia !!!! Receita fácil de fazer e de ótimo resultado. Já fiz algumas vezes e sempre agrada.





Ingredientes:
  • 1 pacote de biscoito de maizena
  • 200 gr. de margarina amolecida
  • 2 potes de cream cheese
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 caixinha de creme de leite
  • 3 ovos
  • 5 gotas de baunilha
  • 1/2 limão 
  • 500 gr. de goiabada derretida 

Modo de Fazer
Massa: Triture os biscoitos e misture com a margarina amolecida. Forre uma assadeira de fundo removível (somente o fundo) e leve para assar em forno médio por 10 minutos enquanto faz o recheio

Recheio:  Bata o cream cheese com os ovos no liquidificador, até ficar um creme homogêneo. Coloque os outros ingredientes e continue batendo por 10 minutos.Coloque sobre a massa, e leve ao forno médio por 40min. Retire do forno, espere esfriar. Quando enquanto esfriar faça a calda.


Calda: Corte a goiabada em pedaços e leve ao fogo com um copo de água. Espere derreter toda a goiabada e cubra o cheesecake com a calda .Espere esfriar e coloque na geladeira por 3 horas. Sirva gelado.

Sempre faço com cream cheese light, creme de leite light e pode usar também géléias diet!!! Não sei se fica menos calórico, mas parece mais levinho.

Peguei no seguinte endereço:  http://bom-de-cozinhar.blogspot.com.br/2012/02/cheesecake-de-goiabada.html.


domingo, 23 de março de 2014

Torta bruschetta

Dica legal!!! Lanche da tarde ou jantar levinho. Acho que pode trocar os recheios, como por tomate , queijo e manjericão.

http://www.panelaterapia.com/2014/03/torta-bruschetta.html

Torta Bruschetta

Pense numa torta fácil e gostosa! É com pão francês (de sal) gente! Dá para fazer com pão mais velhinho ou pão do dia mesmo. A receita aqui é para uma refratário pequeno (17,5cm x 30cm), que serve 4 pessoas.
Ingredientes:
2 pães salgados (francês, pão de sal, etc) cortados em fatias não muito finas;
1 gomo de calabresa defumada picado em cubinhos;
1/2 cebola pequena picada em cubos;
1/2 lata de tomate pelado picado (ou 1 xícara de molho de tomate que você pode acrescentar 1 tomate picado em cubos);
1 colher (café) de orégano;
100g de queijo muçarela (é com "ç" mesmo, antes bancar o Prof. Pasquale vai pesquisar!);
1 ovo;
4 colheres (sopa) de leite;
Sal, pimenta do reino e azeite à gosto.

Misture a calabresa (crua) com a cebola. Tempere com um fio de azeite, sal, pimenta e orégano. Reserve.
Unte um refratário com azeite e forre com as fatias de pão. Espalhe por cima o tomate pelado picado (ou o molho) em seguida junte a mistura de calabresa e cebola que estava reservada.
Bata o ovo como se fosse fazer uma omelete. Junte o leite, uma pitada de sal e misture bem. Espalhe essa mistura por cima de tudo. Ela vai descer e penetrar no pão.
Cubra com as fatias de queijo, coloque um pouquinho de orégano por cima e leve ao forno preaquecido em 200º por mais ou menos 15 a 20 minutos. Fique de olho, se começar a dourar você desliga.

O líquido faz o pão inchar e virar uma massa uniforme, fofa e úmida, nem parece que é pão. Delícia povo!